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Influencer: mesmo que seja estranho, seja você

Ser influenciador digital no Brasil é algo cada vez mais difícil, já que o número de concorrentes aumentou exponencialmente.

Influencer: mesmo que seja estranho, seja você

Ser influenciador digital no Brasil é algo cada vez mais difícil, já que o número de concorrentes aumentou exponencialmente.

De acordo com pesquisa da Nielsen, de 2022, divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, há no Brasil cerca de 500 mil influenciadores digitais.

Embora esta não seja uma profissão regulamentada, de acordo com a Folha, já ultrapassa e se aproxima de profissões conhecidas de nosso dia a dia, como médicos (502 mil), arquitetos (212 mil) e dentistas (374 mil).

De acordo com a autora Issaaf Karhawi, o termo influenciador digital (e antes dele, sua versão em língua inglesa; digital influencer) passou a ser usado mais comumente, no Brasil, a partir de 2015.

Blogueiro

Antes dessa data, essa profissão era chamada de blogueiro (pessoa que possui um blog — página de internet com perfil pessoal — e escreve resenhas nele, imprimindo opiniões pessoais) ou vlogueiro (pessoas que fazem a mesma coisa que um blogueiro, porém, utilizando-se de plataforma de vídeos, como, por exemplo, o YouTube).

A nomenclatura da profissão mudou, pois os influencers passaram a trabalhar em múltiplas plataformas, não apenas com um blog, ou no YouTube, por exemplo.

De acordo com a YouPix, o poder de determinar o que as pessoas devem pensar não está mais nas mãos das grandes empresas e da mídia tradicional, onde expressar-se e ter audiência não estão mais atrelados exclusivamente ao poder econômico.

Mudanças macroambientais

Nota-se que em meio a tantas mudanças macro ambientais, principalmente com o surgimento das redes sociais, advento da tecnologia, como smartphones, tablets e internet, os consumidores tiveram profundos impactos em seu comportamento.

Uma dessas transformações ocorre em uma tendência chamada Queda de Ícones. A qual modifica a maneira de pensar e agir não apenas no Brasil, mas também no mundo todo. De acordo com Popcorn e Marigold, se antes as pessoas eram fortemente influenciadas pelas mídias convencionais, as marcas e as celebridades eram consideradas divindades intocáveis, idolatradas e louvadas pelo público, que tinham fãs que acatavam tudo que era dito pelas mesmas, hoje as coisas são diferentes.

As pessoas querem fazer parte da construção de uma marca, querem estar mais próximas das celebridades e, principalmente, querem empresas e pessoas públicas mais humanizadas. E os influencers, por serem pessoas que aparentam ser “gente como a gente”, têm esse papel importante como formador de opinião aos consumidores.

Ademais, a YouPix chama essa profissão de creators: criadores de conteúdo digital que estão construindo um novo mundo, precursores de um movimento criativo, que ao mesmo tempo ganham dinheiro e são profissionais, ao representar os valores de uma marca que apoiam e promovem.

Creators

Mas, afinal, o que fazem os creators? Por meio da internet e das mídias sociais, emitem suas opiniões sobre assuntos com os quais tenham afinidade e geram conteúdo, dependendo do nicho de mercado que atuam (moda, beleza, estética, humor, culinária, jogos, livros, estilo de vida saudável, entre outros).

São cidadãos-comuns, os quais viraram celebridades e possuem mais seguidores que muitas pessoas públicas, que divulgam um estilo de vida, aparentemente ao alcance de qualquer um, emitindo opiniões sobre tudo que os rodeia (exercícios, roupas, viagens, notícias) de um jeito aparentemente natural, tratando seus seguidores como seus amigos íntimos.

E o seguidor consequentemente segue suas dicas, vai aos locais que ele frequenta, acredita em suas crenças e se alimenta como ele.

Os creators fazem tanto sucesso, pois estão muito mais acessíveis a seu público, em que as pessoas podem buscar inspirações de novas celebridades em pessoas de verdade, que conseguem passar algo que motive e ajude no dia a dia.

Publicação instantânea

Eles são uma forma de publicação instantânea que permite ‘conversas’ com seus clientes, enquanto projeta uma face mais humana para comunicação. Junto a humanização, os creators conseguem gerar interações que ganham amplitude por meio de engajamentos. (vínculos criados entre o emissor da mensagem e seus seguidores que compartilham e curtem aquela mensagem) em diferentes publicações digitais, atingindo milhares de pessoas via internet.

Se o creator conseguir criar empatia com os seus seguidores e fãs, de acordo com Llobet, é provável que se torne uma fonte de informação para estes, pois seguidores, ao interagirem com outros, começam a recorrer ao creator para criar ainda mais conteúdo. Logo, os creators são considerados importantes formadores e líderes de opinião.

Ser influencer e creator tornou-se uma profissão tão cobiçada que, para quem entra em um reality show, como o Big Brother Brasil, o mais importante não é nem o prêmio final, mas sim a quantidade de seguidores e engajamento obtidos ao longo da jornada do programa, bem como sua manutenção após fim do reality.

Portanto, existem agências especializadas em cuidar da carreira dos creators e encontrar marcas de produtos e serviços que associem aos seus valores.

 Influencer

Mas quanto ganha um influencer? Tudo depende de seu nível de engajamento com o público, região que atua, qual mídia social é seu foco (TikTok, YouTube, Instagram, entre outras). De acordo com a Folha, que entrevistou algumas agências, o cachê desses profissionais varia de mil a 600 mil reais por publicação. Onde a média por campanha de um influencer já reconhecido é de em média R$ 18 mil. A agência fica com 20% desse valor.

No entanto, com uma concorrência cada vez maior, torna-se cada vez mais difícil abranger todos os públicos e vender uma vida irreal e inalcançável aos seus seguidores. Cabe aos creators agora atuarem em nichos de mercado específicos e serem mais reais, próximos de seus seguidores.

O ex-BBB 21 Caio Afiune, por exemplo, trabalha com o nicho de mercado sertanejo, pois antes de entrar na casa mais vigiada do Brasil era de Anápolis (GO). Fazendeiro e já gostava de escutar moda de viola e seguia os cantores sertanejos, tendo identificação com esse público.

Gil do Vigor, ex-BBB 21, embora seja um creator com mais de 15 milhões de seguidores. Focou no público LGBTQIAP+, de um jeito único e autêntico, sendo ele mesmo, sem mostrar uma vida cheia de perfeições, mas sim de alguém que veio de baixo e venceu na vida. Que não parou de estudar, sem medo de mostrar suas vulnerabilidades e ter uma linguagem próxima de seu público.

Milhões de seguidores

Desta forma, para ser um influencer de sucesso, você não precisa ter mais milhões de seguidores, mais sim angariar engajamento. (curtidas, comentários, compartilhamentos) de seu conteúdo. Não adianta nada ter muitos seguidores e ninguém se envolver com seu conteúdo (ou seja, comprar seguidores é algo que ficou no passado).

A dica para quem está iniciando nesse mundo é encontrar seu nicho de mercado e criar conteúdo autêntico, único e de qualidade em suas mídias. Um conteúdo próximo, baseado na realidade, sem mostrar uma vida perfeita e inatingível.

Estamos todos cansados de perfeição e coisas que nos deixe tristes e nos gere ansiedade. Como diria a cantora Pitty. “mesmo que seja estranho, seja você!” e essa é a maior lição que posso deixar nesse texto às pessoas que querem tornar-se creators em 2022.

Mariana Munis é professora de Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) está na 71a posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa Times High Education 2021. Uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Comemorando 70 anos, a UPM possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.

Fotos: Divulgação/acervo pessoal
Fonte: Assessoria de Imprensa Instituto Presbiteriano Mackenzie  

Jornalista: Ranai Lima

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Ranai Lima

Nascida em São Paulo - Capital. Formada em Jornalismo e Atualmente Autora no portal de egonotícias.com desde 2021

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