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Tecnologia na luta contra a violência

Integração de drones, inteligência em tempo real e plataformas digitais nos protocolos de resposta contribuem no combate.

Tecnologia na luta contra a violência

Ao acompanhar os avanços tecnológicos que transformam a segurança pública dos Estados Unidos, percebo um movimento robusto e urgente: a integração de drones, inteligência em tempo real e plataformas digitais nos protocolos de resposta. Como alguém que durante mais de uma década atuou no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE/RJ), trago ao debate uma perspectiva operativa que valoriza a eficiência, a proteção do agente e, sobretudo, a preservação da vida.

Em cidades americanas como Chula Vista, na Califórnia, os “Drones como Primeiros Respondedores” já se consolidaram como ferramentas estratégicas. Lá, essas aeronaves — lançadas de bases distribuídas pela cidade — chegam aos locais de emergência em cerca de 3,5 minutos, metade do tempo que uma viatura leva para responder. Essa velocidade permite dimensionar o risco antes da chegada de agentes e precisa o ambiente, evitando tragédias, isolar ameaças e tomar decisões táticas informadas.

Em minha experiência no BOPE, era comum ingressarmos em cenários com visibilidade quase zero, sujeitos a emboscadas e alta tensão. Um recurso como esse — o “eye in the sky” — teria sido um divisor de águas. Permite identificar se um objeto aparentemente ameaçador é, na realidade, uma rua segura, um veículo estacionado ou até um falso positivo, como ocorreu numa ocorrência que viralizou: um homem girava algo na mão até o drone revelar que era, na verdade, um isqueiro.

Outro sistema de tecnologia integrada que vem se espalhando é o Real-Time Crime Center (RTCC). Em centros urbanos como Nova York, esse hub tecnológico agrega dados de câmeras, chamadas de emergência (911), placas de veículos e mais — possibilitando que investigações se iniciem em segundos, e não dias ou semanas, com base em informações estruturadas, mapeamentos geográficos e alertas de emergência em tempo real. Nos meus dias de serviço, cada segundo importava; imagino como seria se já tivéssemos acesso a esse tipo de tecnologia — a resposta seria mais eficaz, preventiva e segura.

Não posso deixar de mencionar também os avanços nos sistemas de despacho e triagem. Plataformas que combinam IoT, algoritmos de inteligência artificial e dashboards em tempo real têm reduzido o tempo de resposta de serviços de emergência em dezenas de porcentagens, uma diferença que representa vidas salvas nas estatísticas e no cotidiano. Em algumas cidades, a tecnologia já cortou quase 20% dos minutos entre o chamado e a chegada do socorro.

Tecnologia na luta contra a violência
Tecnologia na luta contra a violência – Foto Freepik – Divulgação

Por sua vez, aplicativos como o PulsePoint conectam cidadãos treinados em primeiros socorros a incidentes de parada cardíaca, enviando alertas em tempo real — uma revolução na resposta comunitária. Só nos Estados Unidos, mais de um milhão de notificações foram emitidas para milhares de casos até novembro de 2024.

Drones também se tornaram parte essencial em resgate e vigilância. Sabemos que helicópteros são caros, barulhentos e têm limitações operacionais. Mas um drone equipado com câmeras térmicas, sensores LiDAR ou gravação 4K pode mapear incêndios, localizar vítimas soterradas ou em veículos em questão de minutos — oferecendo visão privilegiada, segura e com economia de recursos.

Em mais um exemplo real, um drone chegou primeiro ao local de um acidente com incêndio, salvando vidas ao guiar equipes até onde a vítima se encontrava; em outro, uma situação de refém em hotel foi resolvida com precisão graças às visões aéreas que garantiram a segurança de civis e agentes.

Apesar de todo potencial, há debates importantes sobre privacidade e supervisão. O uso desses drones como olhos móveis no espaço urbano gera preocupações legítimas. Organizações de direitos civis alertam sobre riscos de vigilância indevida e uso abusivo de imagens, especialmente em protestos ou em comunidades vulneráveis. Reforço que, em meu entendimento, a tecnologia só faz sentido se acompanhada de políticas transparentes, limites claros e prestação de contas.

Minha trajetória no BOPE me ensinou que informação é poder — e, se usada com responsabilidade, salva vidas. Uma rede de drones, centros de comando em tempo real, algoritmos de despachos e envolvimento da comunidade com apps como PulsePoint compõem uma arquitetura moderna de segurança pública. Em um país como os Estados Unidos, onde eventos críticos ainda ocorrem com frequência e as pressões por resposta imediata são diárias, esses instrumentos representam avanço, modernização e humanidade.

É preciso encarar a tecnologia não como luxo, mas como ferramenta essencial — integrada à doutrina, ao treinamento e à governança. Se aplicada com ética, transparência e foco no efeito prático, ela cumpre seu papel mais importante: proteger, antecipar e responder com responsabilidade.

Conheça o autor:

Breno Brandão de Lima possui curso superior em Tecnologia em Segurança Pública pela Universidade Federal Fluminense e possui sólida trajetória nos setores de segurança pública e privada. Serviu como militar da Força Aérea Brasileira, com especialização em Auxiliar de Odontologia e Manuseio de Armas, além de mais de 10 anos de atuação no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, onde participou de operações de alto risco contra o crime organizado. Com ampla experiência em liderança e coordenação de equipes táticas em ambientes urbanos e de selva, é também instrutor em operações táticas e primeiros socorros em combate.

Fotos: Freepik / Divulgação

Por: Breno Brandão de Lima

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