Brasileiro investe em consultoria tática nos EUA
Breno Brandão de Lima vai comandar a TactiMed USA com sede em Austin, no Texas

Brasileiro investe em consultoria tática nos EUA
A partir de Austin, no Texas, o brasileiro Breno Brandão de Lima prepara a abertura da TactiMed USA, startup voltada a consultoria tática, treinamento em atendimento pré-hospitalar e serviços de inteligência operacional com uso de drones. A proposta nasce em um momento em que segurança pública e preparação para emergências voltam ao centro do debate nos Estados Unidos, impulsionadas por incidentes críticos e por uma adoção mais ampla de tecnologias de resposta rápida. Em 2024, o FBI registrou 24 ocorrências em 19 estados — metade do volume de 2023, mas ainda um indicador relevante de risco — com 23 mortes e 83 feridos, panorama que pressiona organizações públicas e privadas a revisar protocolos de prevenção e resposta.
O contexto texano também dá sentido ao projeto. Segundo análise publicada em junho com base nos dados federais, o Texas foi o estado com maior número de incidentes de atirador ativo em 2024 (quatro casos), reforçando a urgência por soluções que reduzam tempo de resposta e ampliem a consciência situacional de policiais, escolas e empresas. “Queremos apoiar quem está na linha de frente com treinamento que salva vidas e ferramentas táticas modernas. A meta é diminuir o intervalo entre o chamado e a intervenção efetiva”, afirma De Lima.
A estratégia da TactiMed USA combina três frentes. A primeira é consultoria tática — avaliação de risco, desenho de planos de ação e exercícios práticos. A segunda é a capacitação em atendimento pré-hospitalar em cenários de alto risco, com protocolos baseados no Tactical Combat Casualty Care (TCCC). A terceira integra tecnologias de inteligência e vigilância, como drones para reconhecimento tático e coleta de dados em tempo real, alinhadas a diretrizes recentes de modernização do policiamento e da gestão de incidentes. “Drones bem empregados podem chegar antes da equipe terrestre, oferecer imagem do terreno, identificar ameaças e orientar a abordagem com segurança. Isso protege civis e também o agente que responde à ocorrência”, diz o fundador.

Os números sustentam a ênfase no “primeiro minuto”. Pesquisas revisadas por pares indicam que tempos médios de resposta do serviço médico de emergência (EMS) nos EUA ficam em torno de sete a oito minutos em áreas urbanas e podem superar 14 minutos em zonas rurais, janelas que impactam diretamente a sobrevida em traumas. Em termos gerais, atrasos maiores se associam a piores desfechos, especialmente fora de centros urbanos. Para Breno, isso reforça a necessidade de treinar pessoal civil e de segurança privada para cuidados iniciais até a chegada da ambulância: “Se quem está no local sabe estancar uma hemorragia massiva, abrir via aérea ou usar um torniquete corretamente, a chance de sobrevivência aumenta de forma significativa.”
A adoção de drones como “primeiros respondedores” também ganha tração nos EUA. Reportagens recentes mostram departamentos de polícia lançando aeronaves a partir de estações distribuídas pela cidade, controladas remotamente, alcançando cenas em menos de dois minutos em algumas jurisdições e, com isso, reduzindo riscos em abordagens e apoiando buscas e resgates. A tendência foi impulsionada por ajustes regulatórios federais em 2025 que facilitaram operações além da linha de visada (BVLOS) em projetos-piloto. “A tecnologia não substitui o policial nem o socorrista, mas dá velocidade e consciência situacional. O objetivo é chegar melhor e mais preparado”, resume De Lima.
Do ponto de vista de mercado, a TactiMed USA se posiciona na intersecção entre segurança privada, treinamento especializado e soluções com drones — segmentos que crescem com a digitalização da segurança e a demanda por prontidão. Estimativas do setor apontam expansão consistente do mercado global de segurança privada até o fim da década, enquanto o mercado de drones, impulsionado por melhorias em sensores e processamento de dados embarcado, também acelera sua aplicação em segurança pública e resposta a emergências. “Há espaço para empresas que consigam integrar doutrina, treinamento e tecnologia numa oferta prática, mensurável e alinhada a requisitos legais”, diz Breno.
A trajetória do empreendedor ajuda a explicar o foco. Bacharel em Tecnologia em Segurança Pública, ele acumula mais de uma década de atuação no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, além de experiência como instrutor em operações táticas e primeiros socorros em combate. “Trouxemos a vivência de operações reais para um desenho de treinamento que conversa com escolas, empresas e órgãos públicos dos EUA, respeitando especificidades locais e privilegiando a prevenção”, afirma.
Especialistas lembram que a expansão tecnológica exige governança e salvaguardas. O uso de drones por forças de segurança, embora traga ganhos operacionais documentados, suscita debates sobre privacidade e vigilância. Cidades e departamentos vêm respondendo com políticas mais rigorosas de transparência, retenção de dados e limites de uso. “Tecnologia responsável é parte do nosso compromisso; trabalhamos com padrões de conformidade e políticas claras de proteção de dados”, afirma o empreendedor.
Ao mirar o mercado norte-americano, ecossistema em expansão para segurança e tecnologia, a TactiMed USA busca transformar experiência de campo em oferta escalável. Em um país que, apesar da queda recente, ainda convive com episódios de violência armada e com lacunas de resposta em saúde de emergência, a promessa de encurtar o tempo entre o chamado e o cuidado efetivo — combinando treinamento robusto e inteligência operacional — será o principal teste de valor da nova empresa. “Nossa missão é simples de dizer e difícil de executar: reduzir fatalidades evitáveis. É nisso que vamos nos medir”, conclui Breno.
Sobre o profissional:
Breno Brandão de Lima possui curso superior em Tecnologia em Segurança Pública pela Universidade Federal Fluminense e possui sólida trajetória nos setores de segurança pública e privada. Serviu como militar da Força Aérea Brasileira, com especialização em Auxiliar de Odontologia e Manuseio de Armas, além de mais de 10 anos de atuação no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, onde participou de operações de alto risco contra o crime organizado. Com ampla experiência em liderança e coordenação de equipes táticas em ambientes urbanos e de selva, é também instrutor em operações táticas e primeiros socorros em combate.
Fotos: Freepik / Divulgação
Tudo isso e muito mais! Redação egonoticias
Veja mais: Tecnologia na luta contra a violência