Brasil atrai cientistas latino-americanos e se consolida como polo de excelência em tecnologia
Com laboratórios de ponta e programas de pós-graduação acessíveis, país se torna referência para pesquisadores estrangeiros; engenheiro colombiano destaca impacto da experiência no Brasil.

Brasil atrai cientistas latino-americanos e se consolida como polo de excelência em tecnologia
O Brasil tem se firmado como um dos principais destinos de formação acadêmica para jovens cientistas da América Latina. A combinação entre acesso gratuito ao ensino superior, infraestrutura avançada e tradição na pesquisa científica tem atraído profissionais de países vizinhos, que encontram no Brasil um ambiente fértil para crescer academicamente e contribuir com o desenvolvimento tecnológico regional.
Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), essa tendência é visível. Um dos exemplos mais emblemáticos é o Laboratório de Robótica, Soldagem e Simulação (LRSS), referência internacional em soldagem subaquática molhada. Fundado pelo professor Alexandre Queiroz Bracarense, o laboratório se tornou um polo de inovação na área e, ao longo de duas décadas, acolheu dezenas de estudantes estrangeiros em seus programas de pós-graduação.
O engenheiro colombiano Andrés Mauricio Moreno Uribe é um desses nomes. Ele concluiu o doutorado em Engenharia Mecânica na UFMG após passar pelo LRSS e hoje atua em projetos de pesquisa na Alemanha, Polônia e Estados Unidos. Segundo ele, estudar no Brasil foi um divisor de águas.
“O Brasil representa para muitos latino-americanos o que chamamos de verdadeiro ‘sonho americano’: a possibilidade de crescer academicamente com qualidade, sem que o custo seja uma barreira intransponível. A infraestrutura e o nível dos professores são comparáveis aos dos grandes centros internacionais”, afirma Uribe.

O laboratório que o acolheu é considerado uma das referências mais importantes no mundo no campo das operações subaquáticas. No LRSS, foram desenvolvidas tecnologias inéditas de união e consumíveis para soldagem em ambientes extremos, consolidando o nome da UFMG no cenário científico global.
A atuação internacional do laboratório foi reconhecida em 2021, quando o professor Bracarense e o então coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica (PPGMEC), professor Marco Túlio C. Faria, receberam a medalha “Gran Cruz del Norte”, honraria máxima concedida pelo Conselho Municipal de San José de Cúcuta, na Colômbia, em reconhecimento ao apoio dado a estudantes latino-americanos.
Atualmente, o LRSS é dirigido pelo professor Ariel Rodríguez Arias, cubano radicado no Brasil, que também vivenciou o processo migratório em busca de formação acadêmica. Hoje, como chefe do Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG, ele coordena ações para ampliar ainda mais a inclusão de estudantes estrangeiros nos programas de pesquisa e ensino.
Casos como o de Uribe ilustram a importância da internacionalização da pós-graduação no Brasil. Mais do que formar profissionais, esse processo fortalece a produção de conhecimento local, amplia as redes de colaboração internacional e contribui para o avanço da ciência em toda a região.
“A pesquisa científica não tem fronteiras. O que desenvolvemos no Brasil pode ajudar a resolver problemas globais. E essa troca entre culturas e realidades diferentes é o que torna a ciência ainda mais poderosa”, reforça Uribe.
Enquanto alguns países da América Latina ainda enfrentam sérias limitações no acesso ao ensino superior gratuito e de qualidade, o Brasil se destaca como alternativa real de inclusão acadêmica. Ao abrir suas universidades para o mundo, o país também fortalece sua posição como protagonista na produção de tecnologia e inovação.
Sobre o profissional:
Andrés Mauricio Moreno Uribe é engenheiro mecânico formado na Universidade Francisco de Paula Santander (Colômbia), com diploma reconhecido no Brasil (UFMG) e na Alemanha. Mestre e Doutor em Engenharia Mecânica pela UFMG, atuou em pesquisas no Laboratório de Robótica, Soldagem e Simulação (LRSS), referência em soldagem e metalurgia na América Latina.
Possui experiência internacional como pesquisador visitante na Leibniz Universität Hannover (Alemanha), além de passagens por centros de pesquisa nos Estados Unidos, Polônia e Portugal. Ao longo de dez anos, atuou em projetos industriais e acadêmicos em soldagem, metalurgia e tecnologias digitais, sendo também instrutor em cursos de graduação e especialização no Brasil e na Colômbia.
Fotos: Freepik / Divulgação
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