Especialista explica custo, previsibilidade e licença competitiva de renováveis
O case industrial de Rodrigo de Abreu mostra como transformar indicadores ambientais em EBITDA

Especialista explica custo, previsibilidade e licença competitiva de renováveis
A fotografia do setor elétrico brasileiro explica por que executivos estão repensando estratégia energética. Em 2024, a EPE reportou 88,2% de renováveis na eletricidade; eólica e solar responderam por 23,7% do total; a solar somou 70,7 TWh e 48,5 GW de capacidade. “Com base limpa e escala, você reduz custo médio e blinda caixa contra choques hídricos”, diz o engenheiro eletricista Rodrigo de Abreu.
Em maio de 2025, o Brasil passou de 40 GW e 5,4 milhões de consumidores com créditos, com a pulverização que muda a lógica para empresas, com engenharia de portfólio substituindo a simples compra de kWh. No chão de fábrica, o argumento deixa de ser abstrato. Na indústria de embalagens, Abreu implementou automação, solar própria e reuso de água, com –75% de emissões e +75% em indicadores de qualidade, preservando desempenho do produto e reduzindo custo unitário. “É preciso olhar para as métricas, onde refugos reduzidos viram margem e licença competitiva”, explica.

Em inovação de embalagem, a fronteira tecnológica segue avançando: em 2024, a Paboco anunciou garrafa de fibra com tampa de papel/fibra “market-ready”, com barreira plástica muito fina e reciclável no fluxo do papel; em 2025, marcas como a Absolut ampliaram pilotos de tampa de papel. O histórico de patentes do especialista em barreiras para celulose conversa com esse movimento de mercado. “Não existe solução mágica: é sistema; reduzir plástico onde faz sentido, melhorar barreira e pensar no fim de vida”, declara.
Para Abreu, a regulação segue sendo a peça-chave. A Lei 14.300 de 2022, garantiu enquadramento GD I com isenção das componentes tarifárias na compensação até 2045 para pedidos nas janelas definidas e estabeleceu transição para novas conexões até 2029. Nesse cenário, a ANEEL consolidou conceitos e exemplos práticos (GD I/II/III, tarifas de compensação, limites pela equação do custo de disponibilidade). “Ler a regulação no detalhe é parte do retorno”, pontua o profissional.
Em agosto deste ano, as energias eólicas e solar fizeram 34% da eletricidade, enquanto a hidro caiu a 48%, e o uso de fósseis se manteve em 14%; na seca de 2021, esse número foi 26%. A diversificação reduziu emissões do setor elétrico no longo prazo, mesmo com a demanda subindo. “É preciso diversificar para reduzir volatilidade e proteger EBITDA”, conclui.
Sobre o profissional:
Rodrigo de Abreu é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com MBA pela FGV. Ex-CEO da Plannalto Embalagens, onde liderou projetos de automação, usinas solares e reuso de água. Atualmente, é administrador da Packxon Solar, com foco em GD, padronização de projetos e monetização de créditos de energia.
Fotos: Freepik / Divulgação
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