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Rodrigo de Abreu: da automação à transição energética

Engenheiro que escalou indústria de embalagens, migrou para energia solar e hoje defende renováveis como estratégia de negócio.

Rodrigo de Abreu: da automação à transição energética

Poucos executivos transitam com tanta naturalidade entre o painel de controle de uma linha automatizada e a planilha de margem de um portfólio de usinas solares. Rodrigo de Abreu construiu essa ponte ao liderar, por 5 anos, a reestruturação de uma grande empresa de embalagens e, depois, a condução de um playbook de rentabilidade em uma companhia de energia solar.

Na indústria, o resultado foi um salto positivo na receita e uma queda considerável nos custos, além de aumento na base de clientes, com internacionalização para Argentina, Paraguai e Bolívia. O programa combinou automação, plantas fotovoltaicas e soluções ambientais que reduziram emissões em 75% e consolidaram a empresa como referência em embalagem sustentável, segundo o engenheiro.

O pacote tecnológico, conforme explica Abreu, incluiu reuso de água em ciclo fechado (flotadores, regeneração para remoção de sais) e transformação do lodo em fertilizante, fechando o laço da economia circular. “Esse arranjo reduziu o consumo de água potável sem afetar a qualidade. Na indústria, eficiência só é verdade quando bate em qualidade, custo unitário e emissão; o resto é discurso”, diz.

Rodrigo de Abreu: da automação à transição energética
Rodrigo de Abreu: da automação à transição energética – Foto Freepik – Divulgação

Em inovação, o engenheiro liderou cinco pedidos de patente focados em barreiras higroscópicas e garrafas de celulose com aditivos, e foi convidado pela por um a gigante de tecnologia para o TechFounders, realizado em Munique, na Alemanha, onde apresentou tecnologias de embalagem sustentável a investidores e executivos globais. “Trocar plástico por papel sem barreira funcional é trocar um problema por outro. O jogo é barreira, logística e reciclabilidade em escala”, resume.

A guinada para energia veio com uma nova fase profissional. Como administrador e representante legal de uma empresa do setor, Abreu estruturou um modelo que reporta até +50% de rentabilidade por planta, –33% no capex médio e, quando acoplada rede própria de recarga de veículos, expansão de margem de até 400% ao monetizar créditos de energia antes subutilizados. “O ganho está em engenharia de portfólio e no ciclo de créditos bem gerido”, defende.

O pano de fundo do setor reforça a tese. Em 2024, a eletricidade brasileira alcançou 88,2% de fontes renováveis, com eólica e solar em 23,7% da geração; a solar somou 70,7 TWh e 48,5 GW de capacidade, +28,1% no ano. Em maio deste ano, a MMGD superou 40 GW, com 5,4 milhões de consumidores beneficiados, segundo a ANEEL. “Quando a base é limpa e escala, a discussão sai do ESG retórico e entra no P&L”, avalia.

Em agosto de 2025, o Brasil registrou um marco: as energias eólicas e solar responderam por 34% da eletricidade mensal, mesmo com hidrelétricas em 48%, apenas o segundo mês histórico abaixo da metade, sem disparar térmicas. “Diversificação é gestão de risco no setor elétrico”, diz o engenheiro e finaliza: “Minha escola foi o chão de fábrica. Ali entendi que métrica é língua franca: kWh evitado, m³ de água reaproveitado e refugo reduzido viram margem. Levei essa lógica para energia com padronização, créditos bem alocados e receita de recarga transformam usina em negócio”.

Sobre o profissional:

Rodrigo de Abreu é engenheiro eletricista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com MBA pela FGV. Ex-CEO da Plannalto Embalagens, onde liderou projetos de automação, usinas solares e reuso de água. Atualmente, é administrador da Packxon Solar, com foco em GD, padronização de projetos e monetização de créditos de energia.

Fotos: Freepik / Divulgação

Veja mais: Especialista explica custo, previsibilidade e licença competitiva de renováveis

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